Neste ano, Mato Grosso do Sul poderá ter calor acima do esperado e irregularidades nas chuvas.
Midiamax
Às 11h45 do dia 20 de março, no horário de Brasília, começa o outono de 2026, a chamada estação de transição, já que é o período entre as estações chuvosa, o verão, e a seca, que é o inverno. Neste ano, Mato Grosso do Sul poderá ter calor acima do esperado e irregularidades nas chuvas.
O outono termina no dia 21 de junho de 2026, às 5h25, dando início ao inverno. Antes disso, porém, o estado terá as primeiras ocorrências de massas de ar frio, vindas do sul do continente e provocando uma queda gradativa das temperaturas ao longo da estação.
Além disso, de forma geral, os dias ficam mais curtos, com diminuição das horas claras, e as chuvas são menos frequentes. Por isso, a umidade relativa do ar também vai diminuindo gradativamente ao longo dessa estação.
É no outono que também começam a aparecer fenômenos climatológicos adversos, como nevoeiros, geadas e friagem.
Chuvas
Conforme o Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima) de Mato Grosso do Sul, a média histórica obtida ao longo de 30 anos de análises, entre 1981 e 2010, é utilizada como climatologia de referência.
Isso significa que, com base nessa média histórica, e em condições normais, o volume de chuva esperado para o período do outono varia entre 150 e 400 mm (milímetros) na maior parte de MS, mas chegando a 400 e até a 500 mm no extremo-sul do Estado.
Por outro lado, nas regiões nordeste e extremo noroeste sul-mato-grossenses, as chuvas variam entre 100 e 150 mm.
Com base nas médias obtidas pela análise desse período de 30 anos, o Cemtec afirma que há possibilidade de distribuição irregular de chuvas em MS ao longo dos meses de abril, maio e junho.
“Apesar dessa variabilidade espacial, a tendência predominante indica que os acumulados totais de precipitação devem permanecer abaixo da média histórica, especialmente na região extremo-sul do Estado durante o período previsto”, diz o Cemtec.
Temperaturas
A normal climatológica da temperatura média, ou seja, a temperatura média esperada para o outono, varia entre 20ºC e 24°C em grande parte do Estado.
Por outro lado, na região extremo sul de MS, as temperaturas se apresentam mais baixas, variando entre 18ºC e 20°C.
Na região extremo noroeste, os dados históricos baseados em períodos de 30 anos mostram que as temperaturas, neste período do ano, ficam entre 24ºC e 26°C.
Em relação à temperatura do ar, a tendência climática para o trimestre compreendido por abril, maio e junho, indica temperaturas próximas ou ligeiramente acima da média histórica.
Ou seja, a previsão aponta para um trimestre com condições mais quentes que o normal em Mato Grosso do Sul.
O que esperar entre abril e junho?
Diante desses dados, o Cemtec aponta que a análise do conjunto de modelos climáticos para o próximo trimestre indica um cenário de atenção para Mato Grosso do Sul, já que há previsão de irregularidade na distribuição das chuvas e expectativa de volumes abaixo da média histórica.
“Esse déficit hídrico, somado a temperaturas ligeiramente acima do normal, favorece a ocorrência de períodos mais quentes — especialmente em dias de baixa nebulosidade — o que pode comprometer o desenvolvimento das culturas de inverno e reduzir os níveis de rios e reservatórios”, afirma o órgão.
Além disso, o calor persistente tende a agravar riscos à saúde pública, aumentando a chance de doenças respiratórias e favorecendo o aumento de incêndios florestais, assim como a propagação das chamas.
El Niño
Sobre o fenômeno Enos (El Niño–Oscilação Sul), os modelos climáticos indicam aproximadamente 84% de probabilidade de manutenção de condições de neutralidade durante o próximo trimestre.
Apesar do cenário de neutralidade no período, já há indícios de intensificação gradual das condições de El Niño, sobretudo a partir do trimestre compreendido pelos meses de julho, agosto e setembro de 2026.
Essa realidade poderá favorecer a ocorrência de episódios de ondas de calor.
No entanto, o Cemtec lembra que o Enos não atua de forma isolada e é apenas uma das forçantes climáticas relevantes. Assim, no caso de Mato Grosso do Sul, sua influência ocorre de maneira indireta, modulando as condições climáticas regionais em interação com outros fatores atmosféricos e oceânicos de grande escala.






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